domingo, 3 de dezembro de 2006

Porque é que as pessoas no presente é raro terem um grupo de amigos fixo? É claro que não conheço ninguém que não tenha o seu grupo, mas tenho a sensação de que hoje em dia as pessoas não se dão, ou então dão-se de mais. Passo a explicar:
Uma pessoa sai de casa, e vai na rua, e passa uma pessoa a pedir lume para acender um cigarro, e nós muitas vezes olhamos de esguelha e só pensamos em sair dali; ou então estamos numa discoteca, e temos uma rapariga que conhecemos na hora e que basicamente nos faz ter na testa um letreiro a dizer "quero-te comer".

Porque é que agora, é raro uma pessoa conhecer outra, do sexo oposto, e não pensar que tem ali um amigo ou amiga excelente? É que normalmente todos os relacionamentos que as pessoas têm são exemplares amizades, só que a ambição das pessoas acaba sempre por estragar tudo mais tarde ou mais cedo. É óbvio que muitas vezes essa amizade perdura, mas na minha idade olho eu olho e vejo que isso é muito raro acontecer, e quando acontece temos os nossos amigos muito admirados e de boca aberta por termos conseguido pôr de lado todas as divergências de uma ambição extra amizade a perguntar: "Como é que conseguiste?"... E não estou a criticar ninguém atenção, estou a falar de uma visão global...

Acho incrível a mente de algumas pessoas, e a minha também já foi assim, o medo que tantas pessoas sentem ao viver o dia a dia, de entrarem numa amizade, que pode estar ao virar da esquina, quando uma pessoa por exemplo empresta uma caneta na universidade... lol Toda a gente vive com um pensamento de, ou tudo ou nada... Não há meio termo...

Eu falo disto porque este Verão reparei que até eu era assim... Cada pessoa corrige os seus erros, e eu já estou a tratar disso...

Não quero imaginar a vida de uma pessoa em New York em que vive sózinho, trabalha 12h por dia e não se cruza com a mesma pessoa duas vezes na vida, e que quando conhecem alguém, têm uma necessidade tal de comunicar, que chegam a partilhar a vida no seu todo, basicamente com um estranho que muito provavelmente uns menses depois nunca mais vêm...

Esta é uma visão do mundo actual, até posso pensar mal, mas é o que sinto, e é por isso que gosto muito aqui do meu cantinho, da minha cidadezinha pequenina, e do meu grupo pequeno, em quem posso confiar tudo...

3 comentários:

Unknown disse...

É um dos pricípios básicos da vida, as relações e laços que são criados entre as pessoas e/ou animais. A necessidade que temos em abrir a nossa vida a quem pensámos confiar, é perfeitamente normal. Eu opto por ocultar muito da minha vida, pois não confio em alguém além de mim, e por vezes até esse Eu, me "trai". Por acaso, Bernardo, tu foste uma das pessoas que me mostrou que há pouco melhor que o nosso cantinho, e que esse vasto mundo lá fora, nos pode trazer surpresas malditas e infelizes. Realmente, penso que durante toda a vida iremos sempre conheçer alguém especial a quem diremos e contaremos episódios da nossa vida oculta até então. Porém, eu irei agir sempre e cada vez mais de forma cautelosa quanto a isso. Nós somos o que somos e aquilo em quem confiamos...

Anónimo disse...

A vantagem de arriscar conhecer pessoas é como diria o avô Tózè vê-las abrir para nós como flores... E a possibilidade de escrevermos uma e outra vez a nossa própria história, sempre que nos mostramos a alguém e contamos algo da nossa vida.
foi bom espreitar um recanto novo da tua alma!

Anónimo disse...
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