quarta-feira, 28 de maio de 2008

Marrocos 2008

Os sacos estão prontos, dentro do jipe, tudo arrumado, pneus no sitio, rádio montado, depósito cheio, só falta uma paragem no Porto, onde já algumas pessoas olham para nós com cara desconfiada de tanto aparato.
Os BFGoodrich anseiam por se fazerem mais uma vez á areia, e o motor de 6 cilindros ronca esperando as dificuldades. Para já é só auto-estrada, certinho nos 110km/h para não desgastar, camaras de filmar e fotográfica com cassete e cartão vazios para registar os acontecimentos.
O primeiro dia resume-se a Campo Maior, e a primeira noite é feita de insónia esperando o dia seguinte.

Eis que chegamos a Algeciras, o Ponto, que em parte define a Europa e a África, e no porto esperamos o resto do grupo para fazermos a travecia.
O mar estava agitado, mas a vista da Lua a erguer-se atrás de Gibraltar deixa-nos espectantes. Ceuta é do outro lado daquela tempestade, onde já se travaram tantas batalhas, e onde ainda assim o escudo portugues está gravado numa das fortalezas de pedra deixando a nossa marca. A fronteira á noite torna-se surreal! Mal passamos os arames farpados, e os pregos de bloqueio um polícia marroquino acena, e enfim estamos em Marrocos!!

Quatro anos depois de pisar pela última vez aquela terra vejo que o desenvolvimento é incrível, o afleunte de pessoas na rua, o alcatrão co as típicas poças de lama nas bordas, e as rotundas onde tem prioridade quem entra nelas põe-nos num mundo diferente, mas ao mesmo tempo já bem conhecido.

Tétouan é apenas a mais uns kms e lá nos espera os típicos papeis a preencher no check-in onde dizemos de onde vimos e para onde vamos, o controlo desnecessário lol.
Finalmente provo mais uma vez o pão maroquino, as saudades que tinha de tudo aquilo, o hotel dos anos 90, com aquelas decorações pirosas, e a música sempre igual a tocar aos berros no bar escuro, é definitivamente Marrocos... Cá fora estão os jipes estacionados, qual exposição, com o guarda nocturno de volta deles, a afastar as crianças curiosas...

Chechaouén, a cidade azul, a subindo a encosta do monte, é a próxima paragem onde nos espera um guia especializado em português que nos dá a conhecer mais uma vez a cidade. Ah, finalmente uma oportunidade para relembrar o chá de menta numa esplanada no meio do azul...



Mais uma vez feitos á estrada passamos pelas longas planicies de trigo e oliveiras, a perder de vista, o que nos diz que Volubilis, a cidade romana, não está longe. Ruinas e ruinas do que foi antes uma das grandes cidades do enorme Império, que se vêm ao longe da varanda do hotel, onde uma lareira na sala de jantar é bem apreciada por todos! O funcionário do bar disse que a sua religião não permite beber, mas acha que para se integrar no trabalho de ser barmen tem de saber o que serve, e por isso bebe comigo, com o Luís bento e o senhor Baptista mais uma Flag, que para terem noção como tem alcóol custa nada mais que 2€, e equivale a uma mini cá em Portugal. A conversa alonga-se e olhando para as horas são 2h da madrugada, e no dia seguinte as 7h já estamos a pé! O mais impressionante é que por menos horas que se durma o cansaço não chega, é como se aquela terra nos carregasse... Mesmo assim já nos alongamos bastante e por isso é melhor deitar...

A meta seguinte é Ifrane, antes passando por Meknes, uma das cidades imperiais, onde almoçamos numa tenda na praça principal, com vista para as grandes portas da medina. O Rei antigamente mantinha ali os 20000 cavalos do exército, um local estratégico devido aos campos de trigo que havia nas redondezas (não têm noção do que é andar dentro de um celeiro apenas para alimentar os bichos durante um ano que tinha uma área superior a 3 hectáres (3 campos de futebol)!



Chegados a Ifrane a 1600m d altitude a temperatura era de 0ºC ao fim da tarde, e nós a pensar, que porra de tempo, nós que estávamos á espera de Sol e principalmente calor... Ifrane é a única cidade em Marrocos com ar ocidental, devido á escolha de local de férias dos franceses, a cidade adopta um ar suiço.
No dia seguinte os jipes estavam gelados, mas o céu limpo, e não tardou o gelo dos capõs a fumegar e derreter.

Nós a pensar que já tinhamos subido o suficiente, mas esta etapa guardava-nos o vale do Dades, muitos kms á nossa frente, saida as 7h, chegada as 20h quase sem paragens, mas das melhores que fiz até hoje!
Entrando no Médio Átlas a primeira parte é igual ás gargantas do Todra, sobe-se as montanhas e passa-se o lago azul,



continua-se a subir, começamos a entrar no deserto montanhoso, e almoçamos no Auberge Ibrahim numa aldeia lá no alto, onde os míudos de lá me gozaram por ter as calças rotas(por amos de Deus estava de férias e calças velhas é o melhor!).



O frio aperta, e o almoço sabe maravilhoso, e agora é que entramos na parte espectacular: a descida para Dades. Chegados aos 3200m de altitude a vista á frente parece lunar, a neve por cima do enorme planalto cavado pelo Dades deixa os estratos das rochas ficando á vista diferentes tons de castanho, o branco da neve e o azul do céu, mas uma imagem vale por mil palavras portanto: Vale do Dades:







Chegamos cá a baixo ás 8h da noite, agora sim um pouco cansados e ficamos alojados no primeiro hotel da rede Xaluca, onde o barmen gostava de Eagles, e sabia a letra do Hotal California de cor! Cresceu na Alemanha e estudou numa universidade em Ouarzazate. Ligou-nos o jacuzzi e lá fomos nós á meia noite ver as estrelas com 7ºC cá fora! Será escusado que no dia seguinte as gargantas acusaram...

Continuamos na rede Xaluca, desta vez para Erfoud.
O Sr. Daniel Braga decidiu descansar o que me deixou o pagero para levar (eheh) finalmente pus o cu a conduzir... Além do mais lá consegui apanhar a berma da estrada com areia para acalmar o vicio por uns minutos.
Pelo caminho vimos o museu da água, onde, no meio do nada, água transparnte e fresca anda a 1m de profundidade.



O almoço foi dos melhores, chez Simon, omolette de fromage, champagne de Vila Pouca, sombra e palmeiral por trás, bem tranquilo...
O Xaluca estava igual a si mesmo, tinha saudades daquele espaço, e lá estava o meu amigo dormedário que conheci há 5anos... (deixem as piadas tá)





Mais um dia, mais um Xaluca, Merzouga, finalmente as dunas!!
A saída de Erfoud já cheira a areia, o alcatrão fica para trás, por pouco não entramos na Argélia (pequeno erro de cálculo), as dunas avistam-se ao fundo por entre os pequenos montes de areia por onde passamos, o jipe treme enquanto anda na pedra, e de repente uma duna pequena faz com que tudo s cale e parece que levantamos voo!
Á chegada ás dunas, uma miragem aparece na base delas, mas neste caso, não era miragem, era mesmo um lago no sopé das dunas, a tocar a areia, como se fosse uma praia...





A tarde reserva-nos o desafio de andar naquele "mar" alto, para cima e para baixo. Quando inesperadamente, quando fitavamos o muno do ponto mais alto daquele lugar, eis que nos chega e para a meio metro de nós o Land Cruiser branco que ansiavamos conhecer, uma boleia para baixo faz-me passar a melhor experiência em dunas, a forçar até ao limite e entrar em buracos inacreditáveis, a passar 45min a escavar de baixo do jipe, o turbo a disparar com as inclinações, os pinos nas descidas, enfim...







O Albergue de Tombouctou está irreconhecivel, mas espetacular, aquela esplanada com as dunas ao fundo é absolutamente única, e agora posso dizer que já estive de jipe no ponto mais alto!!

Merzouga - Zagora, a etapa do pó talco, enorme, e o deserto negro! A nossa árvore escolhida vários anos para almoçar, pois era a única num raio de 3h de viagem, planicies apenas interrompidas por cursos de água secos, o verdadeiro deserto! E ainda assim passam por nós tipos de mobilette como se aquilo fosse como ir de Santo Tirso a Guimarães ou coisa do género... A pista é durissíma devido ao seu movimento, mas tem uma vista magnifica!
Até deu para perdermos a organização por uns instantes (nem subindo a um monte fazendo sinais com os turbantes conseguimos ser vistos), mas esta como sempre consegue aparecer-nos atrás vindo do nada!







A cidade onde á porta dos hoteis os miudos fazem carros iguais aos que chegam numa questão de 5h, qualquer carro, apenas com uns espelhos uma lata dobrada e um chaci de madeira...
A lendária oficina Iriki Zagora, onde vários participantes vão receber assistência, e onde nós tentamos desesperadamente tirar algum pó dos filtros e dos bancos, mas sem sucesso...
Sou confundido com um marroquino pela milésima vez, e sou convidado para ir ao grande Corte Inglês Berber, melhor loja de Marrocos, com uma boleia de mobilette, mas acabei por ir no patrol com um marroquino ao meu lado a ouvir Lenny Kravitz e a delirar completamente, mais o Luís Bento atrás na dita motoreta! Ah, o TÃO GRANDE E MARAVILHOSO Corte Inglês, como seria de esperar era um cúbiculo no res-chão de um prédio, com uma área de 3mx2m...

De Zagora pssamos para Marrakech, mais uma cidade imperial limitada pelas suas muralhas, e com a praça tão conhecida por quem lá vai... o Le Ménara, com a vista do Atlas ao fundo... Os semáforos é como s não existissem, e mal o sinal dos peões passa a vermelho, o carro atrás já está a buzinar á força toda, e o gajo da mota que antes se tinha encostado ao nosso capô arranca desenfriadamente... loool O trânsito é assustador, mas por mais incrível que pareça não se vê um acidente...



Saíndo de Marrakech paramos em Asilah para almoçar no restaurante "Casa Garcia" para tirar a barriga das misérias!

Na fronteira, todos os polícias nos pediam os passaportes e me perguntavam se era português (talvez por causa da barba por fazer e do pó na cara), e e fosse hoje tinha dito que era um marroquino a tentar passar ilegal, e assim tinha mais uns tempos pata saborear todas estas emoções que agora ficara aqui registadas...

5 comentários:

disse...

Olha, vou-te dizer!...
Se calhar erraste na profissão!!!!
Esta viagem, ou a descrição que fizeste, dá vontade de nos pormos já a caminho!!! Realmente não dá para imaginar a diversidade que é Marrocos! Nós, tristes que nunca lá fomos, não temos ideia....
Fica a Esperança das filhas crescerem, e qualquer dia ir também!!!

Mas, sabes Bernardo,cada vez te aprecio mais!!
Essa tua boa onda, sempre fixe e bem disposto, cheio de paciência, quer para a "tia", quer para todos os primos mais novos, deixam-me mesmo contente!!! E depois há também esta faceta de viajante, que se calhar ainda vai dar muito que falar.... Camaramen de qualidade superior, com jeito natural para locução!!!

Enfim, muito mais haveria para dizer, mas também não podemos largar todos os trunfos de uma vezada!!!

De qualquer forma, é só pra dizer que valeu a pena esperar...

Beijocas

P.S. Vê lá se, já agora, arranjas um tempito pra estudar.... Mas não exageres!!

Anónimo disse...

olá, sou um desconhecido...mas gostei da forma como descreves-te essa tua viagem, uma viagem que ha muito me apetece fazer ate que ha 15 dias comprei um discovery de 94 antigo cm gosto... assim começo ja a procurar forma de preparar a minha viagem para o ano k vem e fazer algumas modificações no jipe, para isso, gostava de falar com alguem que ja tivesse feito a viagem pa me poder aconselhar... nao sei se tas disponivel para isso mas.. quem sabe... o meu email é dariommsantos@hotmail.com. abraço e parabens

Anónimo disse...
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Anónimo disse...

Impressionante este post!!!
A vontade que me deu de pegar num jipe e por-me a caminho de Marrocos...
Mas mais impressionante é ver a tua cara, o teu entusiasmo, ao descrever estas aventuras, pessoalmente...
Dá para perceber o quanto todas estas viagens significam para ti, fazem parte de ti...
E porque nunca me farto de te ouvir contar todas as historias xD
Um beijo
Diana Rompante

Anónimo disse...

Chefe!

Numa palavra para descrever 1/10 disso, simplesmente incrível esse Mundo que andaram a descobrir.

Mas so por isso, venho avisar que para o ano vão ter que me aturar ou como piloto, co-piloto, passageiro ou mesmo cm bagagem!

Forte abraço,

Ricardo Sampaio